This is It – A Última Performance do Rei do Pop
Antes de mais nada, quero dizer que não é muito fácil escrever sobre esse filme, por onde começar?
Recentemente, essa coisa do digital nos trouxe a volta do filme-evento, a idéia de usar a sala de cinema para outras coisas que não são filmes de ficção ou documentários. Na época das entre guerras, a instituição do cinejornal não era incomum, algo como ir ver um filme e ter um mini jornal nacional narrado por Cid Moreira. A coisa toda morreu com escalada da televisão como uma forma mais rápida e prática de comunicação audiovisual em massa. E foi exatamente no auge dessa ascenção que Michael Jackson se tornou Rei do Pop.

Talvez o melhor título para o filme fosse "This WOULD be It"...
Com a facilidade de captação trazida pelas tecnologias digitais, passamos a ter material digital de fácil acesso e divulgação, e surgiu a idéia do filme evento. Um material audiovisual que não é um filme em nenhum sentido da palavra exceto pelo fato de estar projetado. Não é estranho assistir jogos de futebol na telona. Recentemente tivemos um show 3d do U2 que passou naquela sala do Box Guararapes, de modo similar ao que acontecia no período entre guerras.
É nesse contexto que entrou ontem nos cinemas por apenas o estranho material que é Michael Jackson – This is It. O material é uma colagem de material recolhido durante os ensaios da mega sequência de Shows que aconteceria em Londres, bem antes do polêmico astro ficar na horizontal para todo o sempre.
O material foi captado tanto em alta definição como baixa. Algumas imagens são claras, bem fotografadas, outras são provavelmente de uma pequena câmera de mão em DV ou HDV de baixa qualidade. Na verdade, o filme tem muito pouco de documentário, já que dedica muito pouco tempo sobre o making of ou a sobre o interessantíssimo histórico do agora defunto rei do Pop. É realmente uma colagem desse material de B-Roll, nome dado na indústria cinematográfica para as imagens não tratadas da gravação que geralmente são usadas em materiais de Bastidores e Making Of.
São duas horas de excelentes ensaios, músicas que marcaram a história e definiram o que consideramos pop. Michael Jackson, magro como ele só, nos brinda com sua performance e perfeccionismos excepcionais. Realmente, teria sido um TREMENDO show, e o diretor Ortega realmente faz questão de deixar isso bem claro. Realmente, se for visto como um documentário, ele cumpre o papel de registrar em tela grande a última performance de MJ nos palcos.
No entando, o peso de 2 horas de michael jackson tem suas consequências, já que praticamente não temos intercuts narrativos. Eu não sou um fã de verdade dele, então depois de uma hora e meia de Michael Jackson dançando sem plateia nenhuma e com apenas 2 ou 3 câmeras, a coisa começa a ficar pesada nos ombros. Recomendo somente para fãs, ou então para quem quer assistir os bastidores de um mega show.
O que ele tem de Genial – Michael Jackson numa seleção musical que prova que ele realmente era cheio de ritmo. Bastidores de uma superprodução MEGA bem feita. Alto valor documental para a história audiovisual do pop.
O que ele têm de Não Genial – Michael Jackson durante duas horas sem você estar num estádio é começa a cansar. Quando ele começa a mostrar as cenas gravas de Heal the World, é uma BOA hora de ir ao banheiro.